Mudando de aires
Olá! bem sei bem sei, levo meses sem escrever nada. Mas tudo tem uma explicação.
Por coisas de trabalho, afinal tivemos de nos mover uma outra vez, desta volta na direção inversa: da cidade à vila.
Isto, que em princípio é uma cousa má, pois rompe com muitas coisas boas (e obriga a um câmbio de escola, de vivenda, de amiçades…), também tem o seu lado bom. Qual ? pois vais ver:
Quando fomos viver a Vigo, a minha criança (por aquele então eu só tinha uma) era galego falante (paleo, isso que agora está muito de moda
) tinha 3 anos e falava perfeitamente (sou o típico pai baboso que fala das crianças próprias como se forem diferentes às crianças dos demais
) em castelhano, e conhecia do inglês os números até o 12, as cores, olá, adeus, bom dia, boa tarte boa noite…e também sabia os números até o 10 em alemão (meu pai esteve emigrado lá).
Mas ao chegarmos lá, a Vigo, ela decatou-se já logo qeu algo não andava. Algo era diferente lá. As crianças também conheciam o inglês, sim, e falavam o castelhano perfeitamente; mas … quando ela falava, as demais olhavam para ela surpreendidas. Um menino dixo numa ocasião à sua mama: «mamá, hay una niña en mi clase que habla inglés, pero yo le entiendo casi todo».
Sim, ela era a única da clase, a única DO COLEXIO INTEIRO, que falava galego. É claro que as crianças sabem se adaptar às situações, assim que vi, por primeira vez, o que a palavra diglossia queria dizer.
A semana seguinte a fazermos a mudança eu estava a falar por telemóvel com a minha mulher, quando ela me fiz
- «olha, a menina quer falar contigo» (agora ela tem 6 anos e já é uma moça)
ela colheu o tmvl e diz-me muito emocionada
- «olha papá, sabes uma coisa? va que não sabes o que falam os meus companheiros da escola? GALEGO! todos eles! e sabes o fala a professora? também GALEGO! sim!! e até os livros estão escritos em galego!!!»
Sim, é duro viver assim, de a cavalo entre a vila e a cidade, mas há coisas que nunca se sabe que se têm até que se perdem.



